| Foto: Fernando Rivera |
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Toca o despertador. No breu, ela tateia os objetos a fim de interromper a canção irritante que os celulares insistem em tocar. Por fim, o silêncio era restabelecido. A madrugada mal havia começado. Era por volta das 2 horas da noite. Mas hoje ela não estava irritada por ter que levantar cedo. Era uma madrugada de sábado para domingo.
No guarda-roupa, pega as mesmas peças de sempre: uma calça legging, uma blusinha de cores vivas e a seu par de botas com cinco centímetros de plataforma que, faça chuva faça sol, está sempre nos pés. Na mochila, não falta sua canga psicodélica.
Na portaria do prédio, os amigos já lhe esperavam. Para entrar já no clima, eles colocam no som algo mais hard: Eskimo, o precoce DJ ingês adepto do full on, vertente mais pesada e rápida do ritmo de música eletrônica psytrance. O porteiro não se acostuma e sempre lança o mesmo ar de espanto. Essa juventude está perdida mesmo, deve pensar ele.
Pé na estrada. O complicado mapa levava a um caminho que passava por duas rodovias e extensas estradas de terra. Era praticamente uma caça ao tesouro.
Antes da aventura, a parada no posto de gasolina no começo da estrada, já era lei. Ali se reúnem todos os amigos e o clima de festa esquenta. “Vai de breja ou de destilado?”, pergunta um. “Alguém tem um cigarro?”, diz outro. Tudo ao som de muito psytrance.
O psytrance ou trance psicodélico é um ritmo de batida rápida, entre 135 e 165 batidas por minuto. Tem como característica principal a idéia de transe em que o ouvinte atinge o Ser embalado pelas linhas de sintetizadores (ou hoje também de instrumentos digitais) repetidas ao longo das batidas da música, num compasso 4x4.
Esse tipo de música conta com o “sub grave”. Esses sons estariam fora da capacidade humana de captá-los, se não fossem executados em um volume muito elevado. Neste caso, o corpo humano não reconhece o som pela audição, mas pelo tato. Assim, o principal veículo de comunicação nas festas de psytrance é o corpo. A busca pelo êxtase passaria necessariamente pelo corpo.
Num universo paralelo...
O carro, que parecia ter participado de uma corrida de stock car na lama, chegava à festa. As raves, como também são chamadas essas festas, acontecem sempre em algum lugar ao ar livre, afastado dos centros urbanos, onde o que reina não é o conforto, mas o contato com a natureza.
Hora da revista. Como o consumo de “substâncias proibidas” aumentou nos últimos anos, a fiscalização tornou-se mais rígida. Abre a mochila. Levanta o sutiã. Tira a bota e também a meia. Buscava-se qualquer vestígio de droga. E, apesar de todo o esforço e empenho dos revistadores em praticamente desnudar as pessoas, alguns conseguiam entrar com tais substâncias. A criatividade desses freqüentadores encontrou lugares mais exóticos para esconder a(s) droga(s)...
A festa estava linda. Adorava as decorações das raves. Aquela estava particularmente especial. Tudo muito colorido, psicodélico. Muitas borboletas e mandalas suspensas. À noite, a decoração ganhava um brilho único com a iluminação. A luz de neon traçava no ar diferentes desenhos. Tudo ali era preparado para que os participantes se sentissem em outro mundo: um Universo Paralelo.
O clima era sempre de paz e alegria. Os amigos estendiam uma canga no meio da roda e colocavam as mochilas e outros pertences. Alguns montavam até uma barraca de camping para fazer um repouso com mais conforto. Em volta da canga, todos ficavam dançando, rindo e bebendo. Alguns fazem performances malabaristas e equilibristas com bolas, swing, flowers sticks e outros apetrechos.
Essas festas eram propicias para fazer amizades. Ela perdeu a conta dos amigos que fez nessas ocasiões. Algumas amizades seguem até os dias de hoje. Ali, ninguém estava de mal com a vida. A música propiciava esse clima de descontração. Era como se todos se transportassem para outro mundo. Bem longe da realidade
Alguns se utilizavam de “aditivos químicos” para viverem este momento de transe espiritual. E foi assim que ela viu as coisas mais engraçadas e também as mais aterrorizantes da vida dela. Pessoas suando; mordendo constantemente (sem perceber, é claro) os próprios dentes, lábios e bochechas; os olhos arregalados; a pupila dilatada; dançando numa velocidade incrível sem parar, por horas e horas – são os chamados “fritos”. Outros corriam desesperadamente, dizendo que o bonequinho do Windows Messenger esta lhe perseguindo.
Raras não são as vezes que o usuário tenta entrar literalmente dentro da caixa de som. Uma vez ela viu outro desses arrastando cuidadosamente um pedaço de barbante. Na ponta, estava uma lata de cerveja vazia. Ele dizia que era seu cachorro de estimação e perguntava a todos se queriam fazer carinho no “bichinho”.
Mas ela não fazia parte desse grupo dos aficionados pela caixa de som ou pelos cachorros de lata. Seus únicos aditivos eram a cerveja e a catuaba, bebida alcoólica energética muito comum nesse meio.
Essas festas não se restringem à curtição do som. Muitos freqüentadores encaram esses eventos como um verdadeiro ritual e acreditam na sua simbologia. Ela mesma já presenciou casamentos e cerimônias de seitas religiosas alí. Também é comum encontrar pessoas meditando enquanto a festa rola solta. Para muitos, as raves são a atualização do antigo ritual tribal no século XXI.
Sob a trilha sonora de muito eletrônico, chega o fim do dia. Mas a festa continuará pela noite adentro e, depois, pela manhã também. O calor deu lugar à chuva. Alguns se protegem nas tendas, outros preferem se refrescar. Ninguém vai embora.
Por volta da 22 horas, ela chega em casa. Como sempre, teve que subir pelo elevador de serviço. Quem olhasse a lama das roupas, pensaria que teria vindo de uma guerra. As longas horas dançando, castigaram seu corpo. Sentia o cansaço de quem não dormia por cem anos. Tomou banho e dormiu profundamente.
Ela acorda e vê as paredes verdes de um quarto espaçoso, muito maior que o seu. Os lençóis também eram verdes. Aterrorizada por estar nesse lugar desconhecido, ela começa a pensar se alguém teria colocado alguma droga alucinógena em sua bebida sem ela perceber. De repente, sua irmã entra no quarto.
Eu tinha acabado de voltar da festa. “O que eu estou fazendo aqui?”, pergunta ela. A irmã lhe acalma: Você acabou de fazer uma endoscopia. Esse é um dos efeitos do sedativo: causa amnésia em relação a alguns episódios anteriores ao exame. A festa é só na próxima semana. Deixa de ser ansiosa.
* O conteúdo deste artigo é puramente ficcional e não tem relação com fatos reais
Leia também A história do psytrance Folha Online - Antes de falar, neandertal criou rave, diz arqueólogo britânico Hippies.com.br - Corpo em transe
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Comments
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