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| Especiais - Rituais | ||
| Qua, 10 de Dezembro de 2008 20:26 | ||
No grupo de teatro da FEA, do qual fiz parte por três anos, além de “merda”, se desejava “Feliz Ano Novo!”. Isso porque na nossa primeira apresentação, em 2006, usamos um figurino todo branco, como se estivéssemos indo para um Réveillon ou um culto de candomblé. Atualmente, o grupo mudou e com ele os rituais. Mas aquecimento antes de entrar em cena existe em todos os grupos. Geralmente, os atores ficam em círculo, fazem um alongamento e dançam alguma coisa. Quando eu fazia teatro no grupo da FEA, a gente dançava jongo. No grupo da Poli, o aquecimento é dançar com música rápida e encenar a peça inteira em 10 minutos, depois encenar de novo em 10 minutos, só que de trás pra frente. Ah, e você trouxe a sua galharufa pra dar sorte? Não conseguiu achar? Novato, galharufa não existe. Isso é um trote de teatro muito antigo, quem me ensinou foi o professor Clóvis Garcia, que trabalhou no TBC (Teatro Brasileiro de Comédia, um dos responsáveis pela modernização do teatro brasileiro em meados do século XX). Antigamente, os atores veteranos pediam que os iniciantes trouxessem uma galharufa no dia da estréia. “Mas onde eu compro isso?”, perguntava o mais novo. Aí os experientes, para entrar na brincadeira, mandavam comprar nos lugares mais variados. Como galharufa não existe, não encontravam em lugar nenhum. Clóvis, que foi ator e crítico por muitos anos, conta que isso era um segredo dos artistas, mas hoje está desmoralizado, existe até um teatro com esse nome! Se bem que eu conheço uma diretora no Grupo de Teatro da Poli, a Bia Szvat, que dá “galhufas” de presente nas estréias. Mas as galhufas dela existem – são presentinhos que têm a ver com a peça. Parece que na última estréia, os atores ganharam uma noz, pra lembrar daquela frase do Machado de Assis: “As idéias são como as nozes e, até hoje, não descobri melhor processo para saber o que há dentro de umas e outras senão quebrá-las”. E não esqueça de lançar a sua mandinga. A diretora do grupo da Poli, diz que isso varia muito de cada um – já houve atores religiosos que rezavam antes de entrar em cena, outros que limpavam o palco... Clóvis Garcia garante que no tempo dele também existiam essas crendices. Ele diz que muitos atores entram no palco com o pé direito. Os mais esquecidos também costumam grudar papeizinhos com as falas em lugares discretos do cenário, para evitar o “branco”. Tatatatá, tá, tá. Um espetáculo só começa depois que se ouve essas três batidas, chamadas “batidas de Molière” (a primeira pancada é uma seqüência de sons). Apesar de ser um ritual francês muito antigo, até hoje as companhias de muitos países fazem isso. A única diferença é que, no século XVII, tempo de Molière, as batidas eram feitas com um bastão. Hoje pode-se usar campainha, alto-falante... As mandingas se modernizam, mas o teatro continua o mesmo. E não ouse falar o nome da... peça escocesa de Shakespeare, dá muito azar! Depois da peça, também é costume o público aplaudir vigorosamente e de pé, se gostou da apresentação. Se não gostou, pode aplaudir um pouco por educação ou vaiar, bater com os pés no chão... Em alguns grupos, é um ritual fazer um debate com o público. O grupo da Poli faz isso em todos os espetáculos, para discutir com os espectadores o que acharam da peça e o que poderia melhorar. Também aproveitam para passar o chapéu, que o espetáculo é de graça, mas qualquer um pode contribuir com dinheiro se quiser. No grupo de teatro da FEA, a nossa despedida do público era diferente. Depois dos ensaios e apresentações de “Considerações sob a chuva”, nosso espetáculo em 2006, andávamos pelos corredores da FEA carregando um elefante de papel que fazia parte de uma cena da peça (inspirada numa cena de Brecht em que soldados vendem um elefante de papel a um senhor ingênuo). Passado o espetáculo e todas as mandingas, resta guardar a bagunça e se preparar para a próxima apresentação. Merda! |
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| Última atualização ( Qua, 17 de Dezembro de 2008 20:57 ) |
Comments
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I am from Iran and too poorly know English, tell me right I wrote the following sentence: "Travelation specializes in selling last minute airline tickets to the general public."