|
|
|
| Especiais - Rituais | ||
| Qua, 10 de Dezembro de 2008 20:28 | ||
Mas ele estava em outro lugar. São Paulo, a capital. A faculdade. O eterno sonho de infância sendo alcançado. Todas aquelas pessoas alí, olhando pra mim e já chegando com um pote de tinta na mão e fazendo uma marca qualquer em minha testa. Virei um boi marcado numa boiada? Não, virei alguém identificado pelos meus pares! Sou um azul como aquela linda menina loira alì. Como aquele japonês com cara de assustado. Como aquele atleta metido a bonitão. Aquela simples tinta na testa de Edu o tornava conectado a todas aquelas pessoas, tão diferentes dele, mas que já o olhavam com simpatia pela simples mancha azulada. Reunido com os outros alí, naquele auditório, sentadinhos no chão, muito próximos, ele pôde reparar que o misto de curiosidade e medo era tanto seu quando da loira, do japonês, do atleta e de quase todos eles. Agora, mais do que nunca, eram parecidíssimos, assistindo a todas aquelas apresentações que esqueceriam dali a cinco minutos. Foi levado para um lugar onde aquele bando de veteranos sedentos gritava ensandecidamente BREEEEEEEJJJAAAAA! Breja? Pra ele era cerveja e olhe lá! Não conseguia falar daquele jeito, se sentia estranho com aquela palavra nova. Cada passo que dava um novo veterano aparecia e “bixo, compra uma breja!”, “bixo, quero uma breja”, “paga uma breja ae bixão!”. Sem saber o que fazer, ele ria. Achava engraçado todos aqueles pedidos. Até que, pra um daqueles veteranos, ele pagou a tal da “breja”. Não por nada. Só por que queria beber uma e já que ia até lá mesmo. No caminho, o veterano perguntou o nome dele. Eduardo. Prazer bixo, o meu é Bruno. Compraram a “breja” e conversaram alguns minutos. Só disso já descobriu que o tal Bruno era de uma cidade vizinha a sua e podia ganhar carona pra ir pro interior. No dia seguinte, as situações se repetiram. E no outro e assim a semana toda. No último dia ele já não estava tão perdido. A moça loira agora era Talita. O japonês, Otávio. E o atleta, Fernando. Todos agora sentados no chão, em roda, rindo muito. Ah, o Bruno, o veterano, também alí, claro. Eduardo já não se sentia tão excluído assim. Pra falar a verdade, a mancha azul da testa já nem existia mais. Mas ainda assim o elo entre eles existia... ... Um novo ano chegou. Eduardo, de caipirinha, virou garoto da cidade. O problema de visão virou um par de óculos de aro grosso igual os dos cults que ele admirava. Os amigos, todos lá: Bruno, Talita, Fernando, Otávio. E muitos outros que conheceu. Todos sentados na frente, olhando aquelas caras de perdidos e seu olhar cruzando com um menino com cara de assustado. E com uma mancha de tinta na testa. Azul. Ele sorriu pro menino, que retribuiu timidamente. E mais uma vez o ciclo se abria... |
||
| Última atualização ( Qua, 17 de Dezembro de 2008 20:56 ) |
Comments