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Especiais - Rituais
Seg, 15 de Dezembro de 2008 18:42
Foto: D. Sharon Pruitt

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Fãs mais místicos de Fernando Pessoa acreditavam que ele encarnava seus heterônimos na hora de escrever como Ricardo Reis, Alberto Caeiro, e outros. Pesquisa feita e descobriu-se que era uma atividade completamente lúcida do escritor, o que não a deixava menos brilhante. De qualquer forma, a hora da escrita é diversas vezes levada como um ritual que envolve o artista.

Para Marne Lucio Guedes, escritor que ministra também oficinas de literatura, o ritual existe e acontece com todos os escritores. Mais do que isso, ele acha que uma espécie de sagratura faz parte da escrita e começa antes da hora da criação, anunciando-a. Contando sua experiência pessoal, ele diz que a parte criativa de sua escrita ("não a carpintaria") acontece completamente nu e com uma taça de vinho para acompanhar.

Diferente de Marne, Andréa del Fuego tem seu ritual baseado em disciplina e organização, sem deixar de lado uma imersão quase que completa. Diz ela: "Escrevo pela manhã, andando pela casa com meu computador, fico entre a sala e o quarto, mas porque ainda não encontrei um lugar definitivo. Os lugares vão ficando desconfortáveis depois de horas de escrita. Costumo terminar um texto com sede e apertada para ir ao banheiro, acabo esquecendo o corpo, isso não é bom". Sem se preocupar com santuários, ela diz se ajeitar em qualquer lugar, desde que haja silêncio.

Daniel Galera, autor de “Cordilheira”, “Até o dia que o Cão Morreu” e parte de uma geração badalada de novos escritores, não considera seus momentos de criação envoltos por um ritual. O que ele precisa, diz ele, é de uma janela para olhar para fora de vez em quando e de café preto sem açúcar "enquanto trabalha". Concorda com ele Mario Prata, que se diz sem nenhum ritual.

Em suas oficinas e também falando de sua própria experiência, Marne diz que o momento criativo do escritor está muito mais ligado a um lugar interno da pessoa. Conseguir chegar a esse lugar, ele explica, é no que consiste em transformar essa experiência em ritual. Ele lembra que Faulkner, Hemingway e outros tantos mostram-se em entrevistas supersticiosos com relação à forma de produzirem seus textos. Independente da palavra usada ou de como exterioriza-se o processo criativo, é difícil acreditar que se escrevem romances como se batem martelos.

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Última atualização ( Qua, 17 de Dezembro de 2008 20:54 )