| Pelados na selva de pedra |
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| Edições - Sobre Rodas |
| Escrito por nu-estudante |
| Qui, 24 de Setembro de 2009 17:54 |
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Era um sábado ensolarado, de temperatura amena, e o clima era de festa na Praça do Ciclista. Pessoas de todas as idades de sunga e biquÃni, ao lado de bicicletas coloridas, indicavam que algo de bom estava por vir. Havia tinta e arte: magrelas estilizadas, "mantenha distância" e a taça de cristal que simboliza "frágil" eram os mais pintados. No ar, feromônios de alegria, contestação e medo. Homens fardados observavam e corria o aviso: quem tirasse toda a roupa seria preso. Uma veterana, Renata Falzoni, mulher de seus 50 anos, videodocumentarista da ESPN e pioneira no cicloativismo no paÃs, já estava nua e pintada. Mas impunha respeito, e os policiais não se moveram. Ao som de apitos, a pedalada começou. A avenida, sentido Vila Mariana, foi fechada e o asfalto pertencia apenas aos ciclistas e ao sol. Cinco minutos depois, "tira, tira, tira!", e aqueles centÃmetros quadrados de pele que costumam ficar escondidos começaram a aparecer na Paulista. Quando percebi, estava cercado de pessoas nuas na Paulista, eu inclusive, pedalando tranquilamente. Já tinha percorrido aquela avenida de metrô por baixo da terra, a pé, de carro, de ônibus, de táxi e de moto. Mas de bicicleta, pelado, era a primeira vez. E a sensação era boa. Liberdade, liberdade. A brisa refrescava até a alma. E o sol entrava pelas narinas. Mas havia também muita fragilidade. O trânsito estava parado do outro lado e motoristas em calças e camisas, nos seus carros de aço, nos observavam. Foi quando ouvimos gritos de "para, para", demos meia volta e vimos confusão, sirenes e a nuvem de gás de pimenta. Um dos ciclistas havia sido preso. O medo se confirmara. Nos vestimos e o passeio, que ia para o Ibirapuera, foi parar na delegacia. |
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