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When I was 64... bits PDF Imprimir E-mail
Edições - Quando eu tiver 64
Escrito por Renato Rostás   
Seg, 02 de Novembro de 2009 21:40

Se para um fã de música, ouvir o número “64” remete a When I’m Sixty-four dos Beatles, para um fã de videogames, “64” é sinônimo de Nintendo 64 (N64). Hoje vemos gráficos realistas, animações cinematográficas e controles inovadores, mas quem começou com tudo isso foi o videogame da Nintendo, lançado em 1996. 

Um dos primeiros consoles a usar gráficos 3D e um direcional analógico em seu joystick, o N64 tinha esse nome por causa de seu processador de 64 bits. Apesar de outros consoles como o fracassado Jaguar, da Atari, que também deveria ser de 64 bits, mas nunca usou todo seu poderio, e o decepcionante Dreamcast (imortalizado por Leonam, que teve orgasmos múltiplos com ele), que, apesar de ter sido comercializado como 128 bits, rodava em 64, na realidade, o videogame que marcou essa “geração 64” foi o da Nintendo. 

O N64 foi um marco na vida de juvenis criados a leite com pêra e ovomaltino na década de 1990. Uma das provas da marca que ele deixou é o garoto SIXTY-FOOOUR, que teve algo próximo a orgasmos múltiplos ao ganhar o console.

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Essa geração de gamers, segundo Pedro Zambarda de Araújo, estudante de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, é mais caracterizada pelo apelo dos gráficos 3D. Um bom exemplo é o impacto que Super Mario 64 causou nos jogadores: quem antes imaginaria o encanador italiano andando para o fundo da tela? Isso era possível por causa do ambiente tridimensional criado para o jogo e a possibilidade de controle da “câmera”.

Não só o conceito de câmera começou a aproximar os videogames dos filmes. Como explica Renato Noviello, estudante de Biblioteconomia na ECA-USP, as gerações posteriores de produtoras de games se preocupou muito em possibilitar experiências cinematográficas jogáveis a seus consumidores. Demétrio de Paula, jornalista formado pela Unisul de Santa Catarina, lembra o mesmo: “o trabalho em cima disso é tanto que ultrapassa a quantidade de texto dos scripts de Hollywood”.

Rivalidade
O grande rival do “meia-quatro” era o PlayStation (PSX). Mesmo que você nunca tenha jogado videogames na vida, com certeza já ouviu esse nome. “PlayStation”, para muitas pessoas, tornou-se sinônimo de videogame. Jogos como Winning Eleven, popularizados no console, venderam milhões e viraram febre no Brasil.

Renato, que também é mentor do site “NES Archive”, há 9 anos cuidando da memória do Nintendinho (avô do N64), lembra que, apesar de o N64 ter marcado bastante a geração, quem venceu a “batalha dos consoles”, na época, foi o PSX – vendeu quase 100 milhões de unidades a mais. “É um bom número, mas péssimo em relação à vendagem do rival, que quebrou recordes atrás de recordes”, afirma.

Pode ser uma coisa ruim, mas o principal motivo pelo sucesso do PSX foi a pirataria. A possibilidade de se poder comprar vários jogos da imensa biblioteca do videogame é o que mais fazia os gamers dessa geração fazerem sua escolha. Mas Pedro Zambarda, que está fazendo seu trabalho de conclusão de curso (TCC) sobre videogames e entrevistou pessoas que ingressaram no mundo dos videogames a partir do Nintendo 64, lembra que essa era a grande crítica dos “nintendistas”: muitos odiavam essa produção em massa de jogos.  

Demétrio, que também fez seu TCC sobre videogames, acha que o grande trunfo do Nintendo 64 é a experiência de jogo. Para ele, nunca antes um jogo ofereceu tantos elementos para adicionar à jogatina quanto a partir do “meia-quatro”, o que deixou para posteridade jogos como Zelda Ocarina of Time e Star Fox 64.

Por fim, a jogatina de quatro – sem trocadilhos – era outro plus do N64. Se divertir com outros três amigos em jogos como Mario Party e Goldeneye 007 foi uma experiência que marcou os gamers da época, tanto que a valorização do modo multiplayer começou aí.

E é nessa experiência de juntar o pessoal na sala de estar para uma partida que a Nintendo apostou com o Wii. Mais uma vez a empresa muda o conceito de diversão  – fez com que várias pessoas chacoalhando um controle em um sala fosse divertido. Demétrio concorda: “Nunca vi um grupo de mais de 10 pessoas se divertir tanto com outro jogo como vi se divertindo com Wario Ware, do Wii. Davam gargalhadas até a barriga doer”, comenta. É por isso que, de todos os consoles da nova geração vendidos, o Wii possui metade das unidades, como lembra Renato.

Saldo final
Apesar da importância do N64 ter sido confirmada pelos entrevistados, é engraçado que nenhum deles tenha citado o console como seu preferido. Enquanto Pedro lembra Final Fantasy VII e Metal Gear Solid, os dois do PSX, e Renato cita o Nintendinho e o Super Nintendo como seus preferidos, Demétrio diz não conseguir se decidir. “Todas as gerações tiveram seus prós e contras”, finaliza.

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Última atualização ( Sáb, 07 de Novembro de 2009 17:01 )