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É hora da revanche! PDF Imprimir E-mail
Edições - Quando eu tiver 64
Escrito por Cristiane Sinatura, Patrícia Golini e Pedro Maino   
Seg, 02 de Novembro de 2009 21:44

Depois de 64 anos, o Brasil volta a sediar uma Copa do Mundo. Depois do fracasso de 1950, o que será do futebol brasileiro em 2014?

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Julho de 2014. Maracanã lotado. Mais uma final da Copa do Mundo. Especial, pois tem ares de revanche. Brasil x Uruguai, 64 anos depois da maior tragédia do futebol brasileiro: as mãos que levantaram a taça em 1950, naquele mesmo gramado, não eram brasileiras. Eram uruguaias, assim como as mãos que aplaudiram a vitória quase improvável naquele fatídico “maracanazo”. Mas agora é tudo diferente.

Não mais de uniforme branco como em 50, a seleção canarinha torna a encarar os uruguaios, num Maracanã bem mais moderno. Essa é só  uma situação hipotética para a Copa que acontece no Brasil daqui a cinco anos. A ideia é mostrar, com ela, o que muda no mundo do futebol ao longo de 64 anos. A começar pelo fato de que o embate entre seleções brasileira e uruguaia é praticamente impensável para a final de 2014. Desde 1950, o Uruguai não consegue repetir suas boas campanhas – não se classificou para seis de 14 competições e, em 2002, sua última atuação, amargou um mísero 26º lugar.

Mas, na década de 50, a seleção celeste deu força ao complexo de inferioridade brasileiro, já que estávamos longe de ser uma potência do futebol como agora. Mas os craques já despontavam: Zizinho, Ademir e Friaça. Em 2014, como uma das favoritas, a seleção deve escalar Alexandre Pato e Breno. Ou Giuliano e Alex Teixeira, que hoje integram o Brasil Sub-20.

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A diferença  é que, há 64 anos, os saldos bancários, os contratos, os patrocínios e as transações entre times não tinham tantos dígitos. Muita gente diz que Copa do Mundo hoje não é mais pódio - é trampolim para o sucesso individual em times estrangeiros. Juca Kfouri acredita que a relação entre torcedores e atletas e entre estes e a seleção brasileira realmente mudou – mas uma Copa em casa vai restabelecer os vínculos.

Em 1950, 200 mil pessoas tiveram o “privilégio” de assistir ao “macaranazo” ao vivo. Mas “ao vivo” naquela época queria dizer direto do estádio ou pelo rádio. Em 2014, ao vivo quer dizer em tempo real, mas não necessariamente incluindo presença física. Hoje internet, televisão e celulares estão aí para isso: seis bilhões de pessoas em qualquer lugar do mundo terão acesso a um dos maiores eventos esportivos do mundo.

Na primeira Copa do Mundo em terras tupiniquins, o resultado final desencadeou entre o povo brasileiro um sentimento derrotista de proporções estratosféricas. Como explica o professor Hilário Franco Júnior, da FFLCH, o abatimento da multidão pós-maracanazo desencadeou uma campanha para identificar culpados. Barbosa, Juvenal, Bigode? Os três jogadores negros da equipe foram crucificados. Segundo o professor, havia a crença de que a composição étnica do país havia definido a sorte de nossa seleção assim como definia a sorte da própria sociedade. Para resgatar o orgulho brasileiro, a política do recém-eleito presidente Vargas foi acompanhada por eventos futebolísticos, como a Copa Rio que consagrou Palmeiras e Fluminense. Mas a ferida só cicatrizou mesmo com a conquista da Copa de 58.

Entretanto, 64 anos depois, o que aconteceria se o Brasil perdesse de forma tão devastadora, seja como na final hipotética que abre este texto ou em qualquer outro embate? Ficaria o povo tão deprimido? Juca Kfouri responde que uma vaia descomunal tomaria conta do país, mas não uma depressão como a de 1950. Porque em 64 anos muita coisa muda. Até no futebol.

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Última atualização ( Sáb, 07 de Novembro de 2009 16:38 )