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A ONU, 64 anos depois PDF Imprimir E-mail
Edições - Quando eu tiver 64
Escrito por André Cabette Fábio   
Ter, 03 de Novembro de 2009 10:56
No final da Segunda Guerra, em 1945, há exatos 64 anos, foram criados alguns marcos nas relações internacionais. Organismos como a ONU surgiram como uma resposta ao conflito mundial, assim como a Liga das Nações tinha sido uma resposta à I Guerra Mundial. O Claro! Questionou alguns pesquisadores sobre a validade desses instrumentos, pensados para servirem de mediadores entre os países, seis décadas depois de sua criação.

Para Rafael Duarte Vilella, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP, mesmo tendo sido criados há tanto tempo, os órgãos internacionais só começaram a funcionar nas últimas décadas, após a queda do Muro de Berlim. "Durante a Guerra Fria foram inoperantes, pois não tinham como escapar ao enfrentamento ideológico das duas grandes potências, Estados Unidos e União Soviética. Em alguns casos, o Conselho de Segurança foi instrumentalizado pelos dois países".

Quando questionado sobre casos como a invasão do Iraque, realizada pelos Estados Unidos em 2001 em desrespeito a resolução contrária do Conselho de Segurança da ONU - órgão formado por 15 países, 5 deles membros permanentes, dentre os quais estão os próprios EUA -, Vilella pondera que há alguns campos nos quais os órgão internacionais ainda não têm efetividade. "Questões de interesse nacional dos Estados, como a guerra, ainda são definidas por eles mesmos". para o pesquisador, a ONU ainda tem grande dificuldade em regular estados de grande poder.

Já o também pesquisador do Instituto de Relações Públicas Pedro Dallari pensa que, mesmo não sendo capaz de impor suas decisões, a ONU exerce grande poder, principalmente "pela sua influência, pela capacidade de produzir e disseminar paradigmas". Por "disseminar paradigmas", o professor se refere a criar referências que são consideradas por todos os países. Ele dá o exemplo do trato com a gripe suína, em que todos os critérios de atuação teriam emanado da Organização Mundial de Saúde (OMS). "A efetividade desse sistema não pode ser analisada comparando com o poder do estado, na forma de polícia", completa.

Vilella concorda que a ONU tem um papel social importante. "Na verdade, a ONU é um sistema dentro do qual existem organizações como a OMC que dão respostas a alguns problemas como pandemias", porém pensa que suas decisões poderiam ter mais poder com uma participação mais abrangente de outros países em instâncias como o Conselho de Segurança, em que apenas 5 dos países membros têm poder de veto sobre as decisões. "Mecanismos como o veto de alguns países poderiam ser substituídos, por exemplo, com votações majoritárias".

Para Pedro Dallari, um erro que se comete é o de procurar extrair juízos abrangentes a partir de situações isoladas da hard politics - casos delicados como o de guerras ou países como o Irã e a Coréia do Norte realizando testes nucleares. "No âmbito interno do estado também há o caso de leis não serem aplicadas, etc. O mesmo acontece internacionalmente".

Ele cita o livro de Fareed Zakaria, cientista político, editor da revista Newsweek e autor do livro "O Mundo Pós Americano". Em uma das páginas da introdução o autor coloca:

"Na esfera político-militar, continuamos no mundo de uma única superpotência. Mas em todas as outras dimensões, a distribuição do poder está mudando. Isso não significa que estejamos entrando num mundo anti-americano, mas para um mundo pós-americano, definido a partir de muitos lugares e por muita gente".

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Última atualização ( Qua, 04 de Novembro de 2009 17:12 )