| Um espaço para a fé |
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| Edições - É caro? Claro! |
| Escrito por Camila Souza Ramos e Cassia Alves |
| Dom, 22 de Novembro de 2009 21:55 |
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"Oooooooooommmmmmm" "Ave Maria cheia de graça, o senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres..." "Baruch atah Adonai, Eloheinu melech ha-olam..." "Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração" A pupila dilata com as repetições sucessivas e compassadas da reza, os pêlos eriçam com o grosso côro dos fiéis, o coração começa a bater mas forte quando os sinos começam a tocar. Para fiéis ou ateus, os espaços religiosos costumam provocar fortes emoções em quem entra neles. Fé, esperança, amor, ódio ou disciplicência, entrar em uma igreja acaba mexendo com nossas referências de vida. Mas poucos pensam no trabalho que foi construir toda essa arquitetura mística para encantar e emocionar outras pessoas. As portentosas igrejas romanas, as assombrosas igrejas góticas, todas levaram muito tempo e investimento para serem erguidas. O financiamento geralmente vinha da venda de indulgências e do dízimo dos fiéis, ou das riquezas exploradas das colônias americanas. Os tempos mudaram, e se hoje as antigas igrejas contiuam sendo frequentadas por fiéis das crenças mais antigas, novas seitas e cultos começam a ocupar espaço e reivindicar seus templos. E para conquistar esse espaço, muitos desafios precisam ser superados. Não porque os novos pastores querem construir uma nova Capela Sistina ou uma nova Catedral de Notre Dame, mas porque a expeculação imobiliária e as inconstâncias do mercado financeiro e imobiliário não ajudam ninguém por si só a constuir sua igreja. Há três anos, o evangélico Claudemir Alves Pinheiro Junior, que trabalhava em uma empresa de consórcio, resolveu procurar quantos igrejas eram clientes da empresa. "Tinha mais de 70 igrejas clientes: Igreja Bastista, Assembleia (de Deus), Presbiteriana, diversas...". As igrejas hoje encontram uma dificuldade grande para receberem financiamento, ou porque muitas estão na irregularidade, ou porque não declaram Imposto de Renda, o que dificulta emopréstimos bancários, explica. Claudenir olhou para essa necessidade, olhou para o número crescente de fiéis, e teve uma ideia: abrir um consórcio imobiliário somente para igrejas evangélicas. As regras do consórcio são claras: o convênio é ofertado para pastores de igrejas evangélicas que tenham pessoa jurídica. Basta ter a documentação mínima para comprar uma carta de crédito, sem limites. "O pastor pode fazer uma carta de crédito de R$ 20 mil como pode fazer de R$ 3 milhões". Antes, porém, ele deve alienar um bem imóvel no mesmo valor da carta de crédito. E em caso de inadimplência? Claudemir diz serem raros os casos em que o pastor deixa de pagar a mensalidade, já que as arrecadações das igrejas são altas. "Um igreja hoje de uns 200 membros dá de lucro de R$ 15 mil a R$ 20 mil por mês. 10% disso paga um consórcio de R$ 300 mil e faz um belo de um templo, dependendo da região do país", calcula. Quando ocorre inadimplência, geralmente é por conta de um reparo estrutural ou algum incidente, "mas nada que a gente não converse". "O estilo da igreja que nós atendemos é do estilo pentecostal e neopentecostal. As igrejas tradicional, como a presbiteriana, batista e metodista, são de pessoas elitizadas. Essas igrejas no caso não costumam fazer consórcios - são raros os casos - porque estão instaladas em muitos pontos do país". Quais as que mais fazem consórcio? As pentecostais e neopentecostais, "que são os que mais estão crescendo [hiperlink com box da universal]", concentradas princpialmente na região Sul do país. Mas se a facilidade parece ser tanta pra fazer esse consórcio, não tem gente que se aproveita? Claudemir conta que já descobriu o caso de um pastor que queria fazer lavagem de dinheiro com a verba do consórcio, alienando um bem-garantia de outro, pagando em dia e recebendo a carta de crédito para outros fins. Mas ele é enfático: "Quando a gente descobre que o pastor é sem vergonha, vagabundo, safado, a gente não fecha". Apesar da facilidade, a lei 11.795, aprovada em 2008, regulamenta os contratos de consórcio e estabelece que sua utilização deve ser direcionada para uma "função social". Para o seguidores da Bíblia, essa função está assegurada, e citariam a epístola de Tiago, capítulo 1, versículo 27: "A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo".
No princípio eram pequenas reuniões, e as reuniões eram no Jardim do Méier, no Rio de Janeiro. E, das reuniões, Edir Macedo começou a ampliar aquela que, 32 anos depois, se tornaria a igreja que mais cresce no mundo e no páis: a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Mas por que ela cresce tanto? "Porque ela não tem uma conduta só cristã, ela tem uma conduta profissional", explica Claudemir. O comerciante compara a estratégia da Universal com a da Globo: "Na Globo, todo dia depois da novela tem um programa diferente, ela atrai o público. É igual à Universal". Cada dia a IURD organiza um dia temático, atraindo e mantendo seus fiéis. Para Claudemir, que também é evangelico, "as igrejas hoje tem dificuldade de se reinventar". Hoje seu público é inteligente, sabe se é enganado, e pode optar andar 10 metros caso sua igreja doutrine os fiéis a cumprir muitas restrições, diz. Os números da Universal
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| Última atualização ( Sex, 27 de Novembro de 2009 17:10 ) |
Comments
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