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O fabuloso caso do porquinho PDF Imprimir E-mail
Edições - É caro? Claro!
Escrito por Eduardo Paschoal   
Dom, 22 de Novembro de 2009 22:12

De moeda em moeda, Keila mal acreditou quando quebrou os cofrinhos: tinha juntado R$ 1.400,00 em menos de um ano

Se há um animal que pode representar infinitas coisas completamente diferentes, é o porco. O espírito, quando é dos bem ruins, é de porco. A atitude, se for nojenta, é porca. Ele pode torcer o rabo, torcer por um time ou torcer para não ficar doente. No jogo ou no horóscopo chinês, o bicho é onipresente. Mas se o mamífero bunodonte, artiodáctilo e não ruminante for gordinho, de gesso e vestido com o uniforme do Corinthians, então é igual aos três primeiros cofrinhos de Ana Keila Blancato.

A mineira de Uberaba de 47 anos, que há muito mora em São Paulo, começou a juntar dinheiro no porquinho quase por acaso. Ela conta que Carlos, o namorado com quem está há 25 anos, sempre reclamou de sua dificuldade por poupar. A mãe, que mora com Keila, nunca acreditou que ela fosse capaz de guardar qualquer dinheiro. Um dia, ela resolveu desafiar a família toda e pediu ao namorado, meio por brincadeira: "Preciso de um porquinho para guardar moedas".

"Carlos me trouxe um daqueles porquinhos de gesso do Corinthians, que os caras vendem no sinal". A partir daí, toda moeda que Keila encontrava nas várias bolsas que troca a toda hora, ia para o animalzinho. No carro do namorado, o porta-níqueis virou seu alvo preferido: "Sempre que eu encontrava moedas no carro, elas iam direto para o cofrinho. No começo, era exigente e só aceitava moedas de um real. Depois, qualquer uma servia, até de dez centavos".

Não demorou muito para que Keila enchesse o primeiro porquinho. Logo depois, comprou outro, de novo corintiano, como o namorado. Depois de mais um porquinho alvinegro (o terceiro, portanto), foi a vez do clássico porquinho de gesso cor de rosa, comprado com a irmã na rua Cardoso de Almeida, no bairro da Pompéia, onde mora. "Achei o porquinho tão engraçadinho, combinava comigo", ela carrega no sotaque. O quinto repositório foi presente de uma sobrinha: "A Daniela me trouxe uma bola do Corinthians enorme, achei o máximo", conta.

Apesar de todas as moedas irem para o cofre, o orçamento não foi prejudicado: "eu queria alguma coisa que desse para guardar todo mês, mas que não interferisse nas minhas contas. Se eu tenho dinheiro na bolsa, eu gasto, por isso a idéia do porquinho".

Porquinho dos ovos de ouro


Semana retrasada, Keila finalmente decidiu quebrar os quatro porquinhos e a bola corintiana. Reuniu mãe e namorado na sala de casa, "para que as moedas ficassem no tapete", e sacrificou os cofrinhos. "Comecei a quebradeira e achei o máximo, porque tinha muita moeda. Quando terminei de quebrar o segundo porquinho, liguei correndo para a minha irmã: ‘Célia, você não vai acreditar, tem muita moeda!'. Eu não pensava que em um ano eu tinha juntado tanto dinheiro".

Depois de "contar quantas moedas tinha em cada porquinho, o que foi bem cansativo", ela somou o montante. Tinha conseguido economizar R$ 1.400,00, "até em moedas de dez centavos. Quando cheguei ao banco para trocar, o moço do caixa olhou para mim e começou a rir. Eu expliquei que tinha juntado tudo em cofrinhos e que agora o dinheiro ia para a poupança".

Keila depositou a economia para fazer "umas compras quando for para Miami". Ela diz que não tinha um objetivo quando começou a guardar o dinheiro, mas agora tudo o que quer é juntar mais dinheiro para ir aos Estados Unidos: "Meu namorado e minha mãe não acreditam quando eu digo, mas eu estou juntando as moedas para a minha viagem. E não é para pagar passagem não, é só para as compras mesmo", conta rindo.

Nova linhagem de cofrinhos


Foi uma colega da faculdade que deu à Keila uma caixa de metal com segredo para recomeçar as economias. Depois de muito tempo sem estudar, ela decidiu voltar a fazer faculdade. Hoje está no sétimo semestre de Direito na Universidade Paulista.

O repositório rosa, que imita uma caixa-forte, agora também abriga notas: "Fiquei tão empolgada que comecei a colocar notas também. É claro que vou tentar guardar dinheiro no banco, mas o cofrinho nunca será deixado de lado", afirma.

A universitária rebate quem diz que fazer economia apenas com moedas é coisa de criança: "Uma amiga minha também disse que ia começar a juntar moedinha para a festa de um ano de sua filha. Ela conseguiu 700 reais com o porquinho".

Todos que convivem com Keila já se acostumaram com sua mania de guardar moedas. "Sempre que eu chego à lanchonete da faculdade, o funcionário me pergunta se eu quero o troco em moedas. Eu digo que tanto faz." Mas é claro que se ajudar a alimentar o cofrinho, melhor.

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Depois de "contar quantas moedas tinha em cada porquinho, o que foi bem cansativo", ela somou o montante. Tinha conseguido economizar R$ 1.400,00, "até em moedas de dez centavos. Quando cheguei ao banco para trocar, o moço do caixa olhou para mim e começou a rir. Eu expliquei que tinha juntado tudo em cofrinhos e que agora o dinheiro ia para a poupança".
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avatar tempurpedic
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Última atualização ( Dom, 22 de Novembro de 2009 22:17 )