| Com os bolsos vazios e a vida completa |
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| Edições - É caro? Claro! |
| Escrito por Lucas Hirata e Lia Segre |
| Seg, 23 de Novembro de 2009 19:14 |
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Dinheiro traz felicidade? Se essa premissa fosse verdadeira, o mundo estaria em um avançado nível de harmonia e todos compreenderiam com exatidão esse sentimento tão subjetivo. Afinal, nunca existiu tanto dinheiro em movimentação na Terra. Só nos EUA circulam cerca de meio trilhão de verdinhas, contadas pelo Federal Reserve. E, no Brasil, o Banco Central calcula mais de R$ 100 bilhões nas ruas. Mas qual seria o preço da felicidade? Muitos acreditam, como a socióloga Vanessa Nicolav, que a felicidade é construída socialmente e, para atingi-la, é preciso satisfazer ao que o grupo dá valor: bens materiais, padrões estéticos, status social etc. “É difícil ser feliz se você não tem celular tal ou se não vai na balada tal. Eu não sou uma pessoa feliz se só sobrevivo. Isso de dinheiro trazer felicidade é paradoxal, porque todos os bens de consumo estão associados com valores de felicidade”. Vanessa menciona ainda que muitos direitos sociais estão subordinados ao poder aquisitivo. “Para se locomover, viver, morar, você sempre tem que gastar. Eu não tenho nenhum direito que não exija um poder aquisitivo, às vezes muito alto”. Se a felicidade está ligada ao consumo, temos potencial para sermos felizes, basta distribuir melhor o dinheiro? O gestor ambiental Diego Ramos discorda e acha que felicidade não está ligada a bens materiais. “Tem a ver com as expectativas sendo cumpridas, família, amigos. Se você pode pagar comida e casa, o resto é luxo”. Diego, fundador do Instituto Ambiente em Foco, acredita que “as pessoas convivem melhor onde a natureza é harmoniosa. A busca pela riqueza devastou a natureza original, mas isso se transformou em problemas de saúde e instabilidade social. A riqueza material não se sustenta, basta ter uma crise que se põe tudo a perder”. A necessidade por mudança é um ponto em comum nos discursos. Ambos buscam alternativas para o consumismo desenfreado e a degradação do ambiente. A economia verde e o desenvolvimento sustentável, para Diego, são os meios a serem seguidos para melhorar a convivência dos homens com o mundo e, conseqüentemente, trazer mais felicidade. Já Vanessa acredita que a mudança deve ser mais profunda. “As pessoas não têm que mudar os produtos. Elas devem mudar de pensamento, acabar com vida de excesso. O excesso não traz felicidade, traz infelicidade. É preciso viver harmoniosamente com a vida, com a natureza.”. Reconectar as pessoas Seria possível fazer essa transição? Sair do tradicional e viver uma alternativa mais sustentável? E, mais importante, ser feliz com essa escolha? Vitor Massao (foto) afirma que sim, para todas as questões. Massao trabalhava em uma multinacional, ganhava bem, vivia o sonho de muitos. Um dia, no horário de almoço, um homem o parou na rua. A reação foi seca, “estou sem tempo”. “Puta que pariu! Você é a sexta pessoa que me diz isso, só quero saber as horas!”. Massao logo pediu desculpas, disse as horas, voltou ao escritório e pediu demissão. “Sou militante desde os meus doze anos. Percebi que estava mudando, e isso foi um tapa na minha cara”, contou. No mês seguinte, gastou todas suas economias em uma viagem pela Colômbia e pelo Peru. Sua satisfação não poderia mais vir daquele salário. Mudou-se para o interior de São Paulo, passou por períodos de grande dificuldade financeiras. Acabou por “trabalhar brincando e brincar que trabalha”. Ele ensina jovens sobre o consumo desenfreado da sociedade, individualismo e conseqüências ambientais. |
| Última atualização ( Seg, 23 de Novembro de 2009 19:16 ) |
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