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1º de novembro, Zona Leste de São Paulo, 9h30. Depois de uma informação quente vinda da avó de um dos repórteres, começamos a peregrinação bem-sucedida em busca da malfadada "feira do rolo". Quando avistamos as maravilhas comercializadas no local, percebemos que era o lugar certo e que toda nossa busca anterior valeu a pena.
Antes disso, rodamos a cidade inteira para encontrar os "netos do escambo", seguindo informações privilegiadas de nossas fontes. Nos encontramos na estação de metrô Sumaré para seguir à Feira de Arte Solidária, que estava acontecendo nas proximidades, na Rua Galeano de Almeida, 557. Debaixo de um sol forte e amenos 32° C nos perdemos, nos achamos e descobrimos: eles não trocavam merda nenhuma. Lá, porém, ficamos sabendo de uma feira debaixo do viaduto do Glicério, onde se faziam trocas.
Como estávamos próximos, resolvemos apurar o escambo que descobrimos se realizar na Vila Madalena: um brechó baseado em trocas que se chama Super Cool Market. Depois de quase uma hora de caminhada morro acima na Vila Madalena, em direção à famigerada Rua Purpurina, na altura do número 219, demos de cara com os portões do mercado "super legal" fechados e depredados, sem uma boa alma para contar a história. Um dos repórteres foi aos prantos e tudo parecia caminhar para o fracasso de nossa missão. Mas ainda havia uma esperança.
Nos encaminhamos até o Glicério, localizado próximo ao metrô Liberdade, com uma pequena pausa com um refresco (o ar condicionado do metrô de São Paulo). Encontramos não mais que alguns moradores de rua, tipos mal encarados e viaturas da PolÃcia Militar. Moradores locais confirmavam a existência da feira, mas nosso timing estava errado. Quase desistimos, quando lembramos da dica de dona Célia. No dia seguinte irÃamos à feira do rolo na ZL, mano.
Chegando lá... Apesar de algum desencontro nas informações, encontramos alguns vendedores com suas magnÃficas mercadorias (relógios, celulares, carregadores de celular, toca-fitas, máquina industrial de fritar batatas, entre outras quinquilharias menores) jogadas sobre um pano na calçada. "A maioria das coisas aqui não funciona. Tem muita coisa achada no lixo", explica um senhor espanhol, há 20 anos fazendo rolos.
Desconfiado, ele não quis responder muitas perguntas com medo que fôssemos fiscais da prefeitura. Isso porque não só no lixo são encontradas as mercadorias à mostra em feiras do rolo: material ilegal, furtado ou roubado, também fica à disposição. Provavelmente por isso que encontramos tanta dificuldade em achar uma feira do rolo para a matéria, já que muitas delas são bem escondidas e, mesmo assim, acabam sendo proibidas pela polÃcia.
Enquanto tentávamos arrancar alguma declaração do senhor espanhol, um comprador chegou e se interessou por um walkman. Perguntou se funcionava, ao que o espanhol respondeu afirmativamente e deixou o cliente testar o produto. Após alguns protestos por parte do comprador, o senhor se justificou: "o som está baixo assim porque a pilha é fraca". Mas experiência é outra história, e o consumidor tirou pilhas novas do bolso, dizendo "tudo bem, eu trouxe as minhas". Depois de quase 10 minutos examinando, decretou: "não funciona". Era mais um dia com o walkman encalhado para o espanhol.
No display ao lado, alguém oferecia aos transeuntes um controle de Mega Drive, velho videogame que fez nossas infâncias tão felizes com jogos como Sonic. Tentamos bancar os espertos e fomos barganhar com o moço, oferecendo a ele um guarda-chuva (quebrado) em troca do controle, só pelo valor nostálgico. Mas os vendedores nas feiras do rolo são ligeiros, e atribuem um valor próprio a cada produto que vêem. "Esse guarda-chuva vale 5, e o controle eu tô vendendo por 10! Se quiser dar o guarda-chuva mais 5 reais, a gente faz rolo...", decretou o vendedor, ao examinar perspicazmente nosso produto a 3 metros de distância. Nós só não fizemos rolo porque a matéria sobre videogames foi para a edição anterior do Claro!.
Nós também trocamos Contamos com a sorte e conseguimos achar um personagem a fim de dar entrevista. Cabelos longos e loiros, escondidos pelo chapéu, e cara de quem está querendo fazer negócio. "Ô, Cigano, o cara quer levar esse cano aqui, mas não sei quanto custa", perguntou um de seus companheiros, ao que Cigano, de 44 anos, respondeu: "se você não sabe quanto é, custa 10 reais!". Ele já é macaco velho na feira do rolo, e conta algumas de suas experiências, como quando trocou um relógio quebrado de seu mostruário por um relógio funcionando. "É difÃcil fazer esse tipo de troca, mas eu não me importo, porque as coisas aqui não têm valor nenhum pra mim, apesar de terem seu valor", explica Cigano.
Oferecemos a ele um fone de ouvido da marca Coby - alternativa à Sony -, alegando ter o valor de 10 reais, e tentamos levar um par de óculos que, em tese, era da griffe italiana Giorgio Armani. Cigano nos explicou que o produto era caro, com armação banhada a ouro e que não poderia trocar por algo que valesse menos de 50 reais. Apesar do faro jornalÃstico, deixamos de perguntar a procedência da mercadoria e o porquê de ela estar sendo vendida a um valor módico e continuamos insistindo na troca de outras mercadorias.
Depois de muita insistência, Cigano aceitou trocar o fone genérico por uma quadra de preservativos masculinos, também genéricos, que ele vendia a dois reais - apesar de serem distribuÃdos em postos de saúde gratuitamente. Cigano mal pode conter o riso com a oferta, mas aceitou quase que imediatamente.
Não saÃmos de mãos abanando, apesar de não termos feito a mais inteligente das trocas. Mas, no fim, quem sabe o fone Coby era exatamente o que Cigano precisava para fazer com que o walkman do espanhol funcionasse direito, e, como ele mesmo disse, "quem sabe vocês não encontram umas gatas quando saÃrem daqui?". Concordamos em respeito ao vendedor, mas gostarÃamos de frisar que em momento nenhum tiramos nossas namoradas de nosso pensamento.
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Comments
Gostei da busca pelo local. Esse sofrimento é inerente à profissão. Gostei especialmente da fonte original de informações: A Dona Célia!
Parabéns!
Rindo bastante!!
Outra coisa, se quiserem um controle de MegaDrive, eu tenho..rsrsrs..e troco por um guarda-chuva que funcione..auuhahuaa
a pergunta q nao qr calar a mercadoria q vcs adquiriram foi usada??
uhauahha
bjs, e, novamente, boa matéria!
I admire the valuable information you offer in your articles.
very good article,thank you for sharing
Your sharing information is very useful for me,thank you!
abraços...