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Edições - É caro? Claro!
Escrito por Renan Barabanov   
Seg, 23 de Novembro de 2009 19:39

Se o dinheiro perdesse seu valor, voltaríamos à idade da pedra?

Imagine que de uma hora para outra o dinheiro sumisse. Ou melhor, parasse de valer algo. Numa manhã, você acorda e o Banco Central brasileiro, em conjunto com outros BCs ao redor do globo, anuncia que, a partir daquele momento, o dinheiro, seja ele moeda, cédula, cartão ou cheque, simplesmente não será mais emitido, perdendo instantaneamente o valor. Você pega a carteira e o que existirá dentro será apenas papel sem nenhum valor econômico.

Atividades cotidianas como comprar um pãozinho na padaria, abastecer o carro, ir ao dentista ou comprar um jornal na banca simplesmente entrariam em colapso. A primeira preocupação de todo ser humano seria a produção de bens urgentes para a sobrevivência. "Cada um procuraria produzir um pouco de cada um dos bens a fim de satisfazer suas necessidades", explica Carlos Antonio Luque, professor de Economia Monetária da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de
São Paulo (FEA-USP).

Um passo atrás na história seria dado, com a vida diária de todos nós voltando a ser semelhante ao que era antes do aparecimento da moeda. Uma boa parte das profissões
mudaria radicalmente. Psicólogos, advogados e jornalistas dificilmente teriam seus serviços requisitados, sendo obrigados a produzirem bens de consumo mais urgentes para sobreviver. As evoluções tecnológicas também sofreriam um estancamento.

"Toda sociedade sofreria uma redução no nível de especialização e o grau de divisão do trabalho seria muito menor do que atualmente: isto porque seria difícil que todos conseguissem obter todos seus bens de consumo da troca direta", aponta Pedro García Duarte, professor de Macroeconomia da FEA. Num primeiro momento, certamente produtores de alimentos, vestuários e materiais de construção seriam valorizados. Ponto para agricultores, pedreiros e fabricantes de roupas.

Apesar dessa momentânea valorização das profissões mais simples nos dias atuais, conglomerados industriais reinariam em um mundo que perdesse a moeda instantaneamente. Fabricantes de alimentos, peças de vestuários e bens de consumo essenciais em larga escala, como Nestlé, Coca-Cola, Cisco, McDonald's, Vale, Petrobras
e outras multinacionais dominariam o mercado, baseando-se na vantagem que teriam pelo know-how e estoques que já possuem.

Em contrapartida, empresas hoje líderes de mercado, como Google, IBM, Microsoft e Nokia perderiam seu poder, por produzirem bens não essenciais a uma economia primária.
O escambo (troca de mercadorias) seria a opção mais óbvia e rápida para responder à falta de moeda. "Se hoje a moeda deixasse de existir, é provável que nós passássemos a usar umoutro meio de troca qualquer, dado que nossa vida está toda estruturada em torno de trocas e que usamos alguma unidade para comparar as coisas que estão sendo trocadas", destaca Duarte.

As trocas seriam muito mais difíceis, porém, e, conseqüentemente, todo o sistema de comércio seria menos desenvolvido. "A tendência seria a economia de subsistência, cada um produzindo o necessário para sobreviver", diz Luque. Um mundo capitalista? Vivemos em função do dinheiro? Damos um valor exagerado às moedas e cédulas? Pode ser. Mas um mundo sem dinheiro seria muito mais confuso e retrógrado. Se acordar com essa sensação, apenas por precaução abra a carteira e dê uma conferida. Pegue aquela moedinha de R$ 0,05 e compre uma bala. Deu certo? Ufa! Ainda vale alguma coisa...

 

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