| Débito ou crédito |
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| Edições - É caro? Claro! |
| Escrito por Pedro Maino |
| Seg, 23 de Novembro de 2009 19:44 |
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A pergunta acima me foi feita em um lugar onde nunca imaginei ouvi-la: dentro de um táxi. Sim, depois de descobrir que até taxistas utilizam sistema de cartões de crédito ou débito hoje em dia, fui às ruas para ver como funciona. A missão, bem simples, era ir e voltar do trabalho usando meu cartão em táxis.
Como imagino levar menos tempo para chegar no Itaim do que normalmente levo de metrô e ônibus, acordo mais tarde. Levanto sem pressa e vou para o ponto mais próximo. E não há nenhum táxi... Primeira tentativa, #fail. Agora atrasado, corro para a avenida e pego o primeiro carro que passa. Pegamos ‘O' trânsito e o pior: sem cartão. R$ 27 na conta do Claro!, por favor. "A demanda não é tão grande a ponto de compensar", explica Rudy, que há 14 anos roda pela capital, depois que pergunto se ele perdia muitos clientes por não aceitar cartões. Naquele dia, ele, que garante rodar 150 km por dia e tem ponto na Berrini, acabara de voltar do aeroporto de Congonhas. "Sei que tem uma taxa de 3% mais o valor do aluguel da maquininha, mas não são muitos clientes que pedem. Não é da cultura do brasileiro". Na volta, melhor sorte. Sem dinheiro, se não a tivesse, talvez não chegasse em casa. "Aqui no bairro, só tem gente de empresa e eu preciso ter o ‘Visa'", comenta Agnaldo. Em seu carro, adesivos e até encostos de banco com a marca estampada. Lá, não vejo moedinhas espalhadas pelo console como em táxis normais. "Ganho muitos clientes por este destaque. É segurança para mim e para os clientes por não andarmos com muito dinheiro". Desta vez, uma viagem mais tranquila e sem trânsito. Mesmo assim, observo o taxÃmetro com peso na consciência e peço para descer no metrô, completando o caminho da forma tradicional. Passo meu cartão de débito e os R$ 16 não são nem sentidos no bolso. Talvez seja por isso que usamos tanto o dinheiro virtual. "Ih, o sistema caiu..." "O dinheiro virtual custa caro". A frase é de Maria do Carmo, há 12 anos dona de um estabelecimento comercial na região do Brooklin, na capital. De uns anos para cá, o dinheiro foi sendo substituÃdo pelo ticket e, mais recentemente, pelos cartões. Hoje, é raro ver quem vá ao restaurante e esteja disposto a pagar com dinheiro em papel. A substituição das cédulas por cartões de crédito ou débito, no entanto, não é tão benéfica quanto pode parecer neste caso. "A taxa cobrada é muito alta. Quando você paga, sai da sua conta na hora, mas só chega na minha no dia seguinte e com uma parte do valor descontada", explica a administradora, que, por outro lado, não enxerga outra saÃda. "Se eu não usar cartões, não trabalho". O problema maior, conta a entrevistada, é quando o sistema de cartões sai do ar. "Aà complica... Quando o freguês é conhecido, menos mal porque pode ‘pendurar'". Por ironia, a falta de dinheiro impede o pagamento e acaba com toda a praticidade do negócio neste caso. "A gente pede que o cliente deixe algum documento enquanto busca o dinheiro. Mas, em última instância, ele sai sem pagar". "Aceita cartão, moço?" Cruzeiro, cidadezinha do interior de São Paulo. Mil estudantes se misturam aos locais para a realização de jogos universitários durante o feriado de finados. Em mãos, dinheiro para o pedágio e o bom e velho cartão de débito. Paulistano que sou, utilizo-o para tudo - até para aquele chocolatinho de R$ 1 na loja de conveniência. Só não esperava o perrengue que passaria para sobreviver com dinheiro. Explicando: pouquÃssimos estabelecimentos de Cruzeiro aceitam pagamento diferente do dinheiro vivo. E, pouco a pouco, os problemas aparecem. Sábado, hora do almoço. "Aceita cartão, moço?". Resposta negativa e meus primeiros R$ 10 vão pelo cano. Pouco depois, descubro que estou sem a chave de reabastecimento do carro - logo, ou vou para um chaveiro ou não volto para São Paulo. E menos R$ 25 na minha conta. Aliás, na minha carteira. Os dias passam e a situação não muda. Teimoso, só procuro um banco para tirar dinheiro à noite. Para minha surpresa - e a lei de Murphy existe -, os caixas eletrônicos só funcionam até as 22h. "Por que raios se chama ‘Rede 24 horas' então?". Por fim, a gasolina para voltar para casa. A essa altura do campeonato não preciso nem dizer o que houve. Só que, neste caso, o dinheiro veio emprestado de um amigo, assim como o valor para os pedágios da volta. E a única dúvida que persiste na minha cabeça: "Como é que ainda existe um lugar em que as pessoas vivem sem um cartão de débito?". |
Comments
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