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A identidade dos fãs que se vestem de preto vai além da aparência
Roupas negras, pulseiras pontiagudas, cabelos compridos, casacos de couro e tatuagens: no imaginário popular, a descrição do fã de heavy metal quase sempre começa pela aparência. Para quem está de fora, a imagem pouco convencional ligada ao gênero é o primeiro dado a atrair a atenção. Depois da visão, chega a vez da audição. Positiva ou negativamente, é impossível ficar indiferente ao som espesso, vocais vigorosos, solos prolongados de guitarra e percussão enfática que são típicos do estilo. Nomes de bandas como “Torture Squad”, “Death”, “Alice in Chains” e “Anthrax”, também não deixam de impressionar os ouvidos.
Entretanto, para os fãs do gênero, assistir à performance de seus músicos favoritos é uma experiência que fala a todos os sentidos. O golpe rítmico da baqueta anunciando o início iminente de uma música espalha arrepios pela nuca e pelos braços dos presentes. As guitarras e os baixos entram no palco e nos ouvidos. Explosões e fumaça causam sensações estéticas que esquentam a multidão. Começa a letra, finalmente, e o show se transforma em um rito, uma celebração, uma catarse para aqueles que se definem como adoradores do “deus metal”.
É neste instante preciso, quando ocorre a reunião de todos os presentes em torno de uma paixão comum, que os metaleiros ou headbangers (chamados assim por balançarem a cabeça durante os shows) concretizam a sua identificação como grupo.
Vários elementos culturais concorrem para a criação desse sentimento, inclusive a estética. para o universitário e headbanger Pedro Zambarda, os metaleiros curtem cabelos longos por esse ser um padrão que foge da normalidade e das convenções sociais. “Além disso, as roupas pretas transmitem uma rica cultura europeia, presente na música a que os fãs aderem”, diz o fã do lendário Ozzy Osbourne.
Ligados pela música Mas, apesar da ampla adesão a esse estilo de vestimenta, não é só de roupas pretas que se faz um headbanger. Fascinado por progressive metal, entre outros subgêneros do metal, o estudante Hugo Rosso conta que somente usa roupas pretas entre duas a três vezes por semana. “Tenho uma vasta coleção de camisetas brancas também”, conta, entre risadas.
Para Camilla Raven, vocalista e violinista da banda brasileira de gothic metal “RavenLand”, que já gravou seis álbuns e participou de nove coletâneas nacionais e internacionais, o que une os headbangers do mundo inteiro é a paixão pelo estilo de tocar e cantar metal, e não a cor da roupa ou maquiagem. “Compramos cd’s, vamos aos shows e tocamos para manter a chama do metal sempre acesa, pois as dificuldades ainda são inúmeras graças à existência de certa resistência cultural ao gênero no Brasil”, explica Camilla, que, além de cantora, cursa Administração e trabalha como headhunter em uma consultoria de RH em São Paulo. “Mas posso estar vestida de azul ou branco ouvindo death metal, isso não influencia em nada”, afirma.
Além do preto É o caso de Andréa Ribeiro. A estudante conta que costumava se vestir de preto na adolescência, mas que atualmente não se sente mais à vontade para prosseguir com o hábito. “Hoje sou quase uma cientista formada e simplesmente não condiz mais com a minha idade nem com a posição no meio científico usar esse tipo de vestimenta. Já imaginou eu apresentando minhas pesquisas em congressos internacionais usando uma camiseta do Megadeth? Não dá mais”, conta a futura oceanógrafa, que curte ouvir thrash, progressive e folk metal.
Parecida é a situação de Marcio Lucca. Hoje empregado no setor de desenvolvimento de softwares, ele conta que já usou muito preto quando era mais novo, até que “um dia enjoou”. Apesar disso, o fã de Metallica e Slayer conta que ainda hoje carrega consigo um pouco do estilo estético ligado ao metal. “Mas nada mais que surpreenda velhinhas na rua”, garante.
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