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De parto a volta para casa, quais foram as aventuras que o apagão escondeu
Onde você estava em 10 de novembro de 2009? Caso não se lembre, vamos perguntar de outra forma: em que lugar se encontrava durante o apagão? Sim, aquele que atingiu 18 estados brasileiros às 22h13 e deixou na mão quem assistia à novela.
Se a sua resposta é “estava em casa dormindo”, saiba que não foi uma noite tranquila para muitos. Eduardo Ohata, repórter da Folha de S. Paulo, vivia o momento mais feliz de sua vida: o nascimento de seu filho, Leonardo. Porém, quando tirava fotos da criança nos braços da enfermeira, subitamente tudo apagou e não se via mais nada. “Fiquei preocupado porque minha esposa ainda estava inconsciente e com os cortes da cesariana. Também fiquei com medo do bebê cair se alguém tropeçasse”, lembra.
Sua primeira reação foi ligar o celular para iluminar a sala. Para sua surpresa, a equipe esperava tranqüilamente. Os médicos sabiam que, 20 segundos depois, a luz do gerador encheria o novo pai de alívio.
Ainda no hospital, Ohata viu pela janela uma aglomeração nas ruas e percebeu que a queda de energia afetara muita gente. Pessoas como Ana Carla Portella, que estava narrando futebol pela Internet e se assustou quando seu computador apagou. “Fiquei desesperada porque achei que era só aqui”, conta a moradora de Santo André.
Enquanto isso, no Orkut, pessoas do Brasil inteiro postavam freneticamente, através de celulares e conexões 3G, dizendo que seus amigos haviam “ficado offline do nada”. Ana Carla tentou ‘ficar online’ até 3h da manhã. Foi à janela de seu prédio e viu vários ônibus entrando na garagem, enquanto havia gente aos montes nos pontos das calçadas.
O medo e a volta O temor coletivo atingiu não só os ônibus, mas até o transporte individual. O taxista Antônio Fabrício preferiu parar de trabalhar durante o apagão. “Por mais que em todo lugar estivessem dando sinal, é perigoso. Você não sabe quem é quem”, diz. O motorista, que roda a zona leste paulistana, confessou sentir medo ao ver a multidão nervosa. “É um barril de pólvora”.
Uma dessas pessoas perdidas na multidão era o estudante Igor Silva, em Belo Horizonte. Após sair do cinema, as luzes do shopping, bem como as do resto da cidade, apagaram. Ele não sabia o que fazer. “Se ficasse, seria assaltado. Se não ficasse, não tinha para onde ir”. A saída foi encarar as ruas e 4h30 de ônibus. Para Igor, o que mais se destacava era que “ninguém sabia o que estava acontecendo”.
O escuro nos deixa sem direção. Por isso, quando a energia volta, escutamos a voz dos vizinhos comemorando. Mas o que fazer assim que tudo se ilumina, já em casa? A primeira providência que Igor toma é descobrir se o problema foi local. “Depois, posto no Twitter que fiquei na escuridão e desesperado!”, afirma.
Além de terminar o que estávamos fazendo e contar aos outros como foi difícil o nosso dia, a vontade de muitos naquela madrugada talvez fosse saber como acabou o capítulo de Viver a Vida.
Nota online
Parabéns no escuro Enquanto muitos sofriam em casa e nas ruas, Patrícia Silva comemorava seu aniversário de 19 anos numa igreja do Rio. “No começo do apagão, fiquei triste e pensei ‘poxa, tudo acontece comigo!'”, diz. Porém, mesmo no escuro, havia um bolo surpresa para a jovem. “Cantaram parabéns para mim no escuro da igreja, acabou sendo muito engraçado”, completa a jovem, que compartilhou a curiosa experiência num fórum do Orkut.
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