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Cursos auxiliam deficientes visuais em tarefas cotidianas
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Dona Eunice, que estuda na Adeva, aprendendo a linguagem braile
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Viver dia e noite sem diferenciar a chegada da luz, interpretando o seu espaço por um outro ângulo. A vida de um deficiente visual não parece fácil para quem a vê de fora, mas também não é um bicho de sete cabeças. Há muitas adaptações a serem feitas para lidar com situações cotidianas. Para facilitar esse processo, há entidades como a Adeva, a Associação de Deficientes Visuais e Amigos. “Na realidade, o deficiente visual precisa de outras coisas além da alfabetização e mobilidade, precisa aprender a viver dentro de casa, fazer pequenas coisas”, conta a professora da entidade, Neuma de Lira, que trabalha com deficientes visuais na Adeva há 18 anos. Ela ressalta que várias instituições fazem esse trabalho, mas que a inclusão é bastante recente.
A Adeva começou a reabilitar deficientes visuais em 1978. Posteriormente, percebeu que outras entidades faziam trabalho semelhante, mas que ainda não era o suficiente para dar autonomia a seu público. Então, eles mudaram o foco para profissionalização. “Com o trabalho, ele [o deficiente visual] consegue seu próprio sustento, sua dignidade e estabelece relacionamentos”, esclarece Markiano Charan Filho, presidente da associação.
Vestir-se bem Dentre as situações corriqueiras que apresentam dificuldades para quem vive às escuras, está o momento de escolher a roupa. Há várias maneiras de se adaptar à tarefa, mas inicialmente é necessária a ajuda de uma outra pessoa. Os deficientes visuais aprendem a reconhecer as roupas primeiro pela textura e em segundo lugar pela etiqueta. O ideal é fazer marcação com um código que identifique a roupa. Para o caso daqueles que já nasceram sem visão, Neuma explica que a combinação de cores é estabelecida por uma convenção. “É regrinha mesmo, do tipo tal cor combina com tal. Os que já tiveram visão, por outro lado, conhecem as cores e sabem quais combinam”, esclarece a professora.
Vida normal Muito além das pequenas tarefas cotidianas, o que realmente atrapalha a vida do deficiente é a falta de acessibilidade, na opinião de quem trabalha com eles. Para Neuma, “o que afasta é a [falta de] acessibilidade, não só de ruas e calçadas, mas o próprio preconceito”. Isso implica na falta de preocupação de uma sociedade que parece distante e que está pouco acostumada com as diferenças. E envolve questões mais complexas, como os diferentes níveis de deficiência. O presidente da Adeva explica que a maioria de deficientes (pelo menos 80%) é de baixa visão. “Essas pessoas sofrem mais preconceito do que aquelas que perderam a visão total”. É como se a sociedade não admitisse os que sofrem aparentemente menos desse problema.
Consumidor “Enquanto a sociedade não vir o deficiente visual como consumidor, ele não vai ser incluso”, opina Charan Filho. Ele lamenta que as gôndolas de supermercado não sejam viáveis, além de existirem poucos produtos com embalagens em braile, como barras de cereais, bolos semiprontos, perfumes, cremes dentais e congelados. Pela legislação federal de acessibilidade (Lei 10.098 de 19 de dezembro de 2000) o poder público deve promover a eliminação de barreiras de informação e acesso, garantindo uma vida normal, além de formar intérpretes e guias. Entretanto, poucos estabelecimentos comerciais têm esse acesso facilitado. Everaldo, deficiente visual, considera que “até que é possível comprar coisas sozinho, a não ser que o vendedor nos ‘enrole’, mas isso é difícil de acontecer”. Ele afirma também que algumas diferenciações facilitam o uso do dinheiro, como os diversos pesos e tamanhos das moedas.
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