| Horas trocadas |
|
|
|
| Edições - Claro! no Escuro | |
| Escrito por Beatriz Souza e Heloisa Brenha | |
| Qua, 12 de Maio de 2010 19:22 | |
|
Desce as escadas e seu primeiro bom dia são olhares de repreensão. - Boa tarde, Eduardo – diz o pai, almoçando em casa depois de cinco horas trabalhando em seu restaurante. Duda olha para baixo. A mãe mira a barriga sem camisa se sentando. - Você vai ajudar a sua irmã no restaurante amanhã? À noite ela tem curso. - Pode ser. Duda percebe os refrigerantes na mesa, levanta e volta com uma lata de cerveja aberta. Carolina exercita sua cruel suavidade: - Já não bebeu o suficiente ontem? - Ah, foi legal ontem... - Deve ter sido, acordei com você chegando junto com o sol. Depois do almoço, Duda esticou-se na rede para a sesta, como em um ritual nostálgico de si mesmo. Na rede, ele lembrava o quanto gostava daquela casa, da presença do mar no - EDUARDO! – berra a mãe da sala, com o telefone em punho – Quando é seu vestibular? - Dia 15 – responde, sonolento. - Tá vendo? – A mãe se volta para o telefone – Já é daqui duas semanas...Filosofia em Florianópolis! E ele ainda quer no noturno! É muito vidamansa mesmo... Desiste de dormir e vai para o seu quarto. O telefone toca e Beto, seu melhor amigo, combina os planos da noite. Duda hesita, mas confirma, ainda rindo das piadas do amigo sobre a noitada anterior. Se despedem com alegria, e ao fechar o celular, Duda adormece sobre a cama ainda desarrumada. 20h30. Duda desperta, abre a janela e sorri para a escuridão estrelada: agora sim, bom dia! Liga o som para ouvir o CD novo da banda de seus amigos e vai para o banho. Ao descer as escadas, ouve o murmúrio recorrente: “Eduardo vai sair de novo... Sabe quando é a prova dele? ... Daqui a quinze dias!...”. Duda olha em direção à irmã e à - Não vai jantar? - Não, eu tô bem. Vou sair. Tchau! No carro, pensa que se ele se aborrecesse como quando era criança,não estaria saindo para ver os amigos agora. É óbvio que a imagem de vagabundo, ovelha negra da família o Duda estaciona. O som do violão atravessa a orla e embala seus passos. Sorrisos e abraços o recebem e uma voz familiar lhe chama. - Que dia cai o seu aniversário mesmo, Dudinha? Tá chegando... – pergunta Beto, mal disfarçando os planos ocultos de comemoração. - Vai ser no outro domingo. - O QUÊ? No dia fatídico? - É, dia 15. Fortes emoções, hein? – diverte-se Duda. - É, Dudinha, 26 anos, 120 questões...Belo presente! Cercado dos amigos, Duda imediatamente resgata a cena da rede: a brisa do mar batendo - Beto, tá de pé nosso esquema? - Tá, a hora que você quiser! - Então, você pode me dar as chaves que eu vou agora? Abrindo a porta do silencioso apartamento de Beto, Duda senta-se na mesa da cozinha e tira da mochila os velhos livros do Ensino Médio e os Diálogos, de Platão. Na paz da madrugada, persegue seus verdadeiros objetivos.
|
|
| Última atualização ( Seg, 24 de Maio de 2010 09:06 ) |
Comments
NICE SITE and NICE PLACE!!! Wish to come and visit your place