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Edições - Claro! no Escuro
Escrito por Francine Segawa   
Qui, 13 de Maio de 2010 12:26

Há cerca de um mês a estátua do Cristo Redentor amanheceu pixada: “Onde está a engenheira Patrícia?”, escreveram. A pergunta foi “tão bem colocada” que chegou aos ouvidos da grande imprensa nacional. Enquanto isso, do outro lado da ponte aérea, em São
Paulo, o pixo marca toda a cidade, mas não ganha tanta fama, não faz perguntas e nem se lê com tanta facilidade. Foi justamente a curiosidade de entender o que estava escrito nas pixações e de saber como os pixadores chegavam ao topo dos prédios que levou João Wainer e Roberto T. Oliveira a fazer o documentário “Pixo”.

Em Paris, o filme foi exibido na Fundação Cartier e não só ele, como o pixo, conquistaram os europeus. Por lá, foi batido o martelo de que pixo é arte e Djan, protagonista do documentário, foi convidado a pixar uma parede da galeria. Se essa visão do pixo pode estar longe de ser alcançada no Brasil, alcançar o topo de um prédio para pixar é cena do
filme. Três caras sem nenhum efeito especial, corda, nem nada, escalam um prédio no cruzamento da Rua Duque de Caxias com a Avenida São João. “Cada vez fica mais tenso. É cena de lôco truta”, diz um deles. O som aproxima de uma ação que se vê muito de longe.

Pixar em lugar difícil traz fama. “Ter muito trampo ou trampo de muito lôco é o que deixa famoso”, conta Chili, que já foi pixador. Ele diz que os pixadores saem mais a noite, principalmente se for com spray. Durante o dia é mais comum pichar com giz de cera.

Chili conta também que a galera sai mesmo para “causar”, vandalizar. “Olha aquele muro daquela mansão? Vamos pixar, enfeiar o bonito”, relembra.

Choque, fotojornalista que retrata esse universo desde 2006, analisa que as ações dos pixadores mostram que eles preferem ser odiados do que serem ignorados. “É um desespero sem fim”, comenta. E analisa que o resultado é um reconhecimento social indireto, já que a sociedade não compreende a escrita e vê o pixo como uma agressão estética aos seus padrões de beleza e seu estilo de vida. Arte ou crime? O debate está aceso e ainda vai render muita polêmica na 1ª Bienal Internacional de Arte de Rua, que acontece no segundo
semestre desse ano.

 

Foto: Choque!

 

 

Foto: Choque!

 

 

Foto: Choque!

 

Errata
Devido a uma falha editorial, as imagens cedidas a esta edição do Claro! pelo fotógrafo profissional Choque! ficaram sem crédito na edição impressa da publicação.

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Última atualização ( Qua, 26 de Maio de 2010 11:11 )