| O escuro, a espera e alguns loopings |
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| Edições - Claro! no Escuro |
| Escrito por LuÃsa Costa |
| Seg, 24 de Maio de 2010 09:32 |
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O tempo de espera é de 90 minutos e a fila dobra-se para a esquerda e para a direita inúmeras vezes, com uma quantidade absurda de pessoas. Todos esperam sua vez de entrar a bordo da suposta limusine da banda americana de rock Aerosmith na atração Rock 'n' Roller Coaster. Trata-se de uma montanha-russa no escuro do Hollywood Studios, um parque da DisneyWorld em Orlando, Flórida.  As montanhas-russas são conhecidas por seus loopings e quedas vertiginosas que, contam os cientistas, liberam adrenalina. Esse hormônio, na medida certa, provoca sensação de euforia e potencializa a irrigação cerebral e a circulação em geral. No escuro, então? Um plus. Não vejo, no entanto, estas imagens cientÃficas na cabeça de uma turminha animada de cheerleaders no meio da fila, ou nos olhos angustiados do último da fila.  Eles esperam, e eu também estava esperando. E continuamos esperando todos os minutos necessários para entrarmos na "limo" - e depois, no escuro, para ver o que acontece. Uma aceleração brusca. O escuro. Uma queda seguida de um looping. O escuro. Gritos durante a espera dos próximos movimentos do carro, que eu diria inesperados não fossem os 90 minutos.  Desde o inÃcio, e prolongada pelo escuro, a espera pelo inesperado. Qual supresa o brinquedo reserva?, imagino ser essa a motivação para encarar as filas purgatoriais. E o escuro, que parece ser constante nas atrações dos parques temáticos de Orlando, é extensão dessa espera pela surpresa - muitas vezes, assustadora. E todos estavam desde o inÃcio (ou fim?) das filas já "no escuro", sem idéia ou controle do que iria acontecer dentro dos galpões.  Isso não acontece só nos parques de diversões, afinal. Permanecemos no escuro até o flash da surpresa, e continuamos no escuro até a próxima e assim por diante. O escuro não é apenas uma questão fÃsica, é também esse imenso desconhecido que é nossa própria vida, ainda que não admitamos isso. Ainda que pensemos estar no controle. E vamos, de flash em flash, vÃrgula em vÃrgula, como essa crônica começada sem saber como terminaria. No escuro, até a próxima queda, até o próximo looping, até a próxima vÃrgula, até o ponto final. |
| Última atualização ( Seg, 24 de Maio de 2010 09:35 ) |
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