| Com a palavra: a psiquiatra |
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| Edições - Claro! no Escuro |
| Escrito por Nara Lya Cabral |
| Seg, 24 de Maio de 2010 09:35 |
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Qual é o valor simbólico do "escuro" e quais são as ideias associadas ao conceito de "escuridão"?
As Deusas Mães são do mundo da lua e o “astro” lua é feminino na grande maioria das culturas. O tempo, nas culturas de predominância da Grande Deusa é contado em luas, elemento fundamental na previsão do plantio, das colheitas e na duração das gestações (animal e humana). Segundo a metáfora de São João da Cruz, o escuro é a expressão da “noite sombria da alma”, o que faz referência aos sentimentos e desejos que emergem á noite e que confundem o fiel. Como se dá a presença do "escuro", ou da "escuridão", em lendas, histórias, no folclore e nas mitologias?
Qual é o papel do "escuro" no imaginário humano? Pode-se dizer que essa ideia assume uma função diferenciada no imaginário infantil? No imaginário infantil, o escuro é configuração do perigo, da ameaça. As crianças têm medo do escuro, reino das bruxas, cucas, ameaças de toda natureza. Têm medo também das manifestações grandiosas da natureza – raios, trovões, tempestades, ventos - principalmente as noturnas. No imaginário humano, de maneira geral, o escuro é domínio do demônio. Na mítica celta com componentes cristãos, Merlin nasce de uma donzela que foi possuída por um demônio na única noite em que se esqueceu de acender uma vela. Nas míticas indígenas americanas, durante os ritos de passagem da adolescência para a vida adulta, os meninos têm que enfrentar o medo. É uma das provas. E o medo é passar uma noite num território sagrado (cemitério). As outras provas são enfrentar a dor e caçar um animal selvagem.
Na Literatura, o escuro aparece nos momentos de espera, angústia, sofrimento. As noites são “mais longas” que o dia! Na música, a noite ou é romântica, suave, inebria ou deprime. No cinema, creio que a noite é expressão do medo, ataques, motivos míticos assombrosos, etc. * Maria Zélia de Alvarenga tem 69 anos, é médica formada pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), psiquiatra e analista junguiana. Escreveu livros como “Mitologia Simbólica” (com colaboradores), “Graal, Arthur e seus cavaleiros” e “Édipo, um herói sem proteção divina”.
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| Última atualização ( Seg, 24 de Maio de 2010 09:37 ) |
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