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Os alunos menos engajados no movimento estudantil preveem: a greve acaba depois da Copa. O evento é tão recorrente no cotidiano da USP que fazer previsões não parece um negócio arriscado. O Claro! procurou estudiosos e, é claro, especialistas nas artes adivinhatórias, para tentar ver o que o futuro (ou mesmo o passado e os astros) reservam para o incidente.
Em conversa com o professor doutor da FEA Arnaldo Nogueira, que estuda relações de trabalho e sindicatos, levamos um puxão de orelha. Sobre a Copa, ele diz: “Isso é uma falácia. É uma maneira de infantilizar um movimento que é sério”. Quando pedimos para que desse uma previsão para o fim da greve, no entanto, ele não quis se arriscar. Se não nos disse o “quando” e o “onde”, contudo, ele nos falou o “como”.
“A greve acaba quando o movimento se desgasta, começa a se esvaziar”. Segundo Nogueira, não existe negociação efetiva nunca: os reajustes não costumam corresponder nem a 10% das reivindicações e estas, por sua vez, são fora de parâmetro - considerando uma política governamental de eterna contenção de gastos.
O professor não pôs a mão no fogo para dizer o “quando” - fazer previsões pode ser algo bastante comprometedor - Nostradamus que o diga. “As greves no setor público costumam ser longas”, é o que afirma. Afinal, entre piquetes e bombas de gás-lacrimogênio, tudo pode acontecer. Será?
Jogando cartas na greve
Para saber o que os adivinhos pensam da do assunto, consultamos uma cigana - e vidente - Iolanda de Oxalá. Ela diz que a duração da greve é indefinida. Pode acabar em um mês ou se estender a até sete meses. Mas “com certeza a policia vai entrar. Pelo que eu vejo, o bicho vai pegar”.
Ela prevê que um grande chefe da USP acabará com a greve. Alguém marcante, que a gente reconhece logo que vê: “um cara alto, forte, de um metro e noventa ou mais. Tem bastante cabelo, umas entradas e olhos claros”.
Iolanda também diz que “os guerreiros honestos e verdadeiros vão vencer”, mas não vão alcançar o que querem. “Os funcionários vão receber pelos dias de greve, mas não como se eles estivessem trabalhando”. Para a cigana, um funcionario demitido que pede reintegração talvez não volte.
A carta tirada para esse ex-funcionário foi a dama, que representa a criança e, segundo a vidente, gosta de gente pura, não de falsidade. Iolanda afirma que “não gostaria que ele voltasse. Nosso Deus não gostaria. Se ele voltar, vai ficar a mesma panela”, conclui ela misteriosamente.
Arnaldo Nogueira Professor da FEA-USP, especialista em Sindicalismo "As greves no setor público costumam ser longas".
Iolanda de Oxalá Cigana e vidente "Com certeza a polícia vai entrar. Pelo que eu vejo, o bicho vai pegar".
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