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Teorias tentam predizer o fim do planeta Terra
Cataclismos, asteróides gigantes, rompimento das placas tectônicas, fogo vindo dos céus... As versões são inúmeras, mas o fato é o mesmo: o fim do mundo. As previsões do apocalipse existem, basicamente, desde que o homem se deu conta da fragilidade de sua condição perante o “imponderável”. E, tentando solucionar suas angústias, elaborou teorias e previsões sobre o assunto. Se só quem viver, verá, agora o que você poder fazer é ler sobre algumas dessas teorias...
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Calendário Maia
Uma das teorias apocalípticas “em alta” atualmente está relacionada ao calendário da civilização mesoamericana Maia. Atribuiu-se aos maias a previsão de que o mundo acabaria em 2012, mais precisamente no dia 21 de dezembro. “É difícil descolar um sistema de calendário que um determinado povo usava e acreditar que isso tem uma validade universal”, diz o professor Eduardo Natalino dos Santos, pesquisador dos povos Mesoamericanos e responsável pela disciplina “História da América Pré-hispânica” na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/USP).
Eduardo diz que não é possível declarar que existe uma visão maia sobre o assunto. “Quando eu falo da cultura maia, eu estou falando de dois mil anos de existência. Essas previsões pegam informações de maias do século VII e de maias do século XVIII, separados por mil anos de diferença, fazem um recorte-cola e atribuem isso a uma profecia maia”.
O sistema de calendário maia é composto por uma série de períodos de tempo, que funcionam de maneira engrenada. Um dos ciclos, o da Grande Contagem, se encerrará em 2012, mas isso pouco significa em termos de previsão apocalíptica para os maias. “Os maias acreditavam que história humana e a história do planeta passaram por várias idades, e que, portanto o tempo presente não é a primeira idade, e também não é a última”, diz Eduardo. “Essas idades e suas durações não seriam começos e finais absolutos, como se entende na cosmogonia cristã. Esses começos e finais eram entendidos como grandes transformações, relacionadas aos ciclos do calendário”, conclui.
Nibiru, o Planeta X
As lendas em relação ao Nibiru surgiram a partir da interpretação dada por Zecharia Sitchin a alguns escritos sumérios. O escritor de origem árabe é um dos defensores da Teoria dos Astronautas Antigos, que acredita que extraterrestres vieram a Terra e estabeleceram contato com as antigas civilizações humanas, influenciando seu desenvolvimento.
O Planeta X seria maior que Júpiter e teria uma órbita tão longa que só passaria pelo Sistema Solar a cada 5200 anos. A lenda mais recente sobre o ele é de que, no início de 2013, um desses ciclos de anos se encerra e o Nibiru se aproximará perigosamente da Terra, causando o deslocamento dos pólos e outros desastres naturais de grande magnitude, exterminando a maior parte da humanidade.
“Essas coisas meio misteriosas têm um atrativo muito grande e a mídia explora de maneira vergonhosa o catastrofismo”, diz o professor Sylvio Ferraz Mello, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP). “Se passa a cada tantos anos, porque nós não vemos?”, indaga.
O professor explica que a passagem de corpos celestes no espaço deixa sinais, estudados pelos cientistas. “Não existe nada no Sistema Solar que a gente não consiga descobrir. O Sistema Solar é extremamente bem estudado”, diz Sylvio. “Tudo deixa traço. Se estiver passando alguma coisa, nós vamos ver, porque há indícios muito antes. E do Nibiru, não tem indício nenhum”, afirma.
A salvação da alma
De acordo com o monge Keshava, estudioso da cultura védica, e com Lúcia Sandri, professora de Yoga e psicanalista do Instituto Sandri, os Vedas, livros originais do hinduísmo, pregam que há quatro eras do tempo. Agora, estamos na última, a de “kali-yuga”, que é marcada pela decadência, brigas e falta de visão moral e espiritual.
No entanto, essa era final deve durar 435 mil anos, sendo que ainda estamos no ano 5 mil, havendo um bom tempo para o fim. Mas é importante lembrar que a destruição, para os hindus, não é pontual, mas sim gradual. Numa mesma era, há dissolução e destruição parciais. As catástrofes naturais, por exemplo, são formas de destruição que servem inclusive para alertar o ser humano da situação não harmoniosa em que está.
Vale a pena lembrar ainda que a salvação é individual e muito mais profunda e complexa do que escapar de alienígenas ou mega tsunamis. “A verdadeira salvação é estar livre de desejos pecaminosos e ruins, é estar situado solidamente no caminho da evolução espiritual, ser como o lótus que cresce da lama, mas que nada pode molhar”, explicam Keshava e Lúcia. Dessa forma, se o mundo necessariamente acaba, pois começou, e este é o fim necessário de tudo que reside no mundo material, vale a pena ressaltar que o homem desempenha papel fundamental nesse processo. “O mundo material tem determinado tempo de duração e isso é inevitável, mas quando o homem decide se converter num ser virtuoso ele pode desacelerar o processo de dissolução dele e do mundo”.
Literatura política
Rafael Rodrigues da Silva, doutor em comunicação e semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e especialista em Literatura Apocalíptica, ressalta o elemento político dos apocalipses, que “surgem em períodos de perseguição, para animar a esperança do povo”.
Assim, ele lembra que a palavra “apocalipse” vem do grego e quer dizer “revelação”. “Trata-se, portanto, de um texto cujo objetivo é revelar, ou seja, abrir os olhos para realidades escondidas. Hoje diríamos conscientização. E é isso mesmo: os apocalipses são textos que pretendem conscientizar as pessoas da situação de violência e opressão em que vivem, para que não se rendam e ousem sonhar com um mundo diferente. É uma mensagem de esperança”.
Dessa forma, é importante lembrar que os textos apocalípticos usam linguagem muito simbólica e também recorrem bastante à imaginação, falando do passado para discorrer do presente. Um exemplo é a “Besta” de Ap 13,1 no Apocalipse de João, que possivelmente se refere ao Império Romano. Em hebraico não há algarismos, sendo os números escritos com as letras do alfabeto. O famoso “666” porta, curiosamente, as mesmas letras que formam “César Nero”, perseguidor dos cristãos.
O que seria o fim, portanto? “Não certamente um fim repentino, sem relação com os acontecimentos, mas sim a conclusão de um processo no qual tomam parte a luta e a resistência contra os opressores”.
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